Depressão, automutilação, jogos suicidas: precisamos falar sobre isso

Recentemente, as divulgações de casos de automutilação começaram a chamar atenção na internet, em especial com a repercussão do jogo suicida “Baleia Azul”. Estes acontecimentos trazem à tona o tabu da depressão. Às vezes, tem-se a impressão que estes casos só existem ou são intensificados por causa da internet, mas o que a rede faz é justamente mostrar que o tema merece a atenção de todos.

depressiva

Para a educadora Mariana Ribas Moraes (advogada, professora aposentada, professora de Ioga e secretária de educação do município de Ibirubá) a internet traz muitos benefícios. As ferramentas de ensino oferecidas pela internet, segundo Mariana, acessam mais facilmente a faixa etária e o interesse dos jovens, são interativas, e tornam o conhecimento mais acessível e atrativo. O grande problema começa no mau uso da rede: é quando os pais ou adultos responsáveis pelas crianças e adolescentes permitem que o tempo com a convivência em família seja substituído por um smartphone, notebook ou outros dispositivos de acesso à internet.

Problemas relacionados à depressão existem e há muito tempo. Há mais de 2 mil anos, a doença era conhecida como melancolia. A internet pode até causar transtornos quando seu uso é exagerado, mas o que é mais importante é que a ferramenta pode ser muito útil para identificar pessoas com problemas e oferecer ajuda. Inclusive, o Facebook possui, há cerca de um ano, uma ferramenta para que os amigos intervenham e ajudem caso identifiquem postagens com teor depressivo ou suicida.

Funciona assim: Se você perceber que um amigo postou um conteúdo com tendência ao suicídio ou automutilação, o usuário pode escolher “denunciar a publicação”, clicando naquela setinha no canto direito superior do post.

O Facebook perguntará o que está acontecendo e a resposta deve ser: “acredito que não deveria estar no Facebook”. Depois, a questão é “o que há de errado”, quando o usuário poderá escolher uma opção relacionada ao suicídio.

Aquele que fez a postagem alarmante receberá, então, uma mensagem em seu Facebook avisando que um de seus amigos está preocupado com ele (sem identificar quem fez a denúncia), oferecendo algumas opções possíveis: enviar uma mensagem a um amigo, conversar com um agente do CVV pelo telefone, chat ou e-mail ou ainda receber dicas do que fazer.

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Além disso, o Facebook fornece algumas dicas do que fazer:

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Mas, e quando a internet pode estar por trás de casos de automutilação, depressão e suicídio? Segundo Mariana Moraes, o problema está no internet depressãoabandono afetivo dos pais (ou quaisquer adultos responsáveis pela educação de crianças e jovens). “Não existe “baleia azul” ou jogo algum que atinja uma criança ou um adolescente que recebe atenção dos pais, que possui diálogo em casa, que é criado com amor, carinho e atenção”. Ela destaca que os pais estão muito mais preocupados em oferecer recursos materiais aos filhos, e deixando a atenção e o carinho de lado. “Nenhuma criança precisa de um celular de última geração, crianças precisam que os pais dediquem tempo a elas”.

Assim, a gente chega à conclusão que a internet não coloca as pessoas em sofrimento, mas pode ser importante para ajudar alguém a sair da depressão. Não importa a idade, quem está passando por alguma dificuldade deve procurar ajuda. Fale com seus amigos e família, e hoje em dia, não precisa mais ser pessoalmente, você pode acionar as pessoas queridas pela internet e aí sim pedir uma ajuda pessoal a quem você confia. E, quem possui um amigo, familiar, irmão, filho, que tem apresentado alguma mudança no comportamento, não ignore, ajude, observe, participe. Use a internet para fazer o bem!

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